quarta-feira, 6 de junho de 2012


  As cabeças da ponte e a mente dos políticos

     Na última semana, um veículo derrapou próximo à entrada do Parque Nacional, na estrada Rotariana, em Teresópolis, batendo no barranco à esquerda, provocando a morte de uma criança doente, que era trazida às pressas ao hospital. A curva que representa risco para quem chega à cidade, está perigosa também no sentido contrário, puxando para a esquerda sobre um barzinho fincado na cabeceira da ponte Sloper, exigindo reparo e, principalmente, a instalação de um redutor de velocidade, que daria mais segurança inclusive no acesso ao Parque, onde há intenso movimento de entrada e saída de veículos.
     Ao tempo que a ponte em curva continua oferecendo risco também para os pedestres que caminham do Alto ao Soberbo todos os dias numa das caminhadas mais clássicas do teresopolitano, a prometida passarela anexa à ponte Sloper ainda não foi construída, como também não foi solicitado aos invasores que desocupem as cabeceiras dela, que é um sítio histórico da Estrada de Ferro Therezopolis, tombada por força de lei municipal desde o ano 2008.
     Aliás, essa semana, a Alerj tornou essa mesma ponte Sloper um bem de interesse histórico para o Estado do Rio de Janeiro, considerando-a um patrimônio arquitetônico e cultural. De autoria do deputado Alessandro Calazans, o projeto de lei tem o número 1.592/08 e vai a segunda votação em breve, preservando também a passarela da rua São Francisco e o túnel da Beira Linha, remanescentes da EFT, de boa memória para o teresopolitano.
     O governo do Estado não conseguiu ainda levantar uma ponte sequer em Teresópolis, das que cairam com as chuvas de janeiro de 2011, e as que as águas não levaram, algumas delas, apresentam-se em péssimo estado de conservação, colocando vidas em risco. Os políticos que não levantam pontes também não as mantém e, se alguns se preocupam com a preservação de sítios históricos, fazendo leis em sua defesa, outros não conservam esses bens arquitetônicos e culturais, deixando-os, inclusive, a mercê de pessoas que os utilizam indevidamente.
     É como se o que é de interesse público não fosse de interesse de ninguém, responsabilidade que também não parece afetar tanto a sociedade, que assiste passivamente a inércia dos políticos que elegeu ou viu aboletar-se no poder.
     Às vésperas das convenções que vão escolher os candidatos a vereador e prefeito, a sociedade vê-se agora refém da sua indiferença ao processo político, e como resultado disso, tende a ter que escolher, mais uma vez, entre as menos piores opções que se oferecerem ao sufrágio, aqueles que irão tomar conta de seus interesses - e dos nossos, os chamados interesses públicos - nos próximos anos.
     Uma pena que as coisas sejam assim...

Nenhum comentário:

Postar um comentário